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Análise | Madden NFL 21 muda pouco, mas segue divertido e com bom conteúdo

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A febre do Futebol Americano já foi mais forte no Brasil. Talvez eu possa estar sendo ludibriado pela pandemia da COVID-19, mas o hype em torno desse esporte já foi maior por aqui, com momentos de furor máximo restrito à época de playoffs e Super Bowl. Mas, para quem acompanha com fervor desde os drafts até a pré-temporada e a jogos regulares, matar a saudade com um bom game do esporte está no roteiro e é essa, talvez, a principal função da franquia Madden NFL.

O game atual, Madden NFL 21, pouco mudou com relação aos seus antecessores. Estamos diante de um bom jogo de futebol americano e que entrega uma jogabilidade sólida, pautada nas inúmeras táticas e da emoção que cada touchdown pode proporcionar. O conteúdo, apesar de não trazer nada de mirabolante em termos de novidade, também agrada, sobretudo o modo “carreira” de Madden, chamado de Face of the Franchise, que te coloca na pele de um jogador universitário em busca do sonho de se tornar um profissional da NFL.

O Canaltech teve a chance de experimentar Madden NFL 21 e contará os prós e os contras desse jogo.

Freestyle também na bola oval

A principal novidade quando falamos de Madden 21 está no modo The Yard. Tomando emprestada a fórmula vista em FIFA 20, com seu modo VOLTA, em The Yard (a Jarda) podemos desfrutar de todo o show que o futebol americano pode nos proporcionar. Tudo bem que é um esporte mais pautado na força, tática e velocidade, mas, se analisarmos bem, tem a sua arte, e é isso o que a EA tentou implementar com esse novo modo.

Há, talvez, um exagero por parte da EA em levar o jogo para praças, parques e ruas, muito embora sabemos que os americanos tentem, a todo custo, trazer o football para seus lares nem que seja em um cantinho com grama. Mas, em termos de jogabilidade, The Yard não chega a ser uma forçação de barra. Pelo contrário: diverte e empolga, com comandos e regras um pouco mais simples e que, de algum jeito, pode se tornar a porta de entrada para quem se interessar pelo esporte.

Aqui, podemos utilizar nosso avatar criado para os demais modos do jogo e pedir uma ajudinha para as estrelas da NFL em partidas que podem ser individuais, em dupla ou em trios. Cada time, aliás, pode fazer três incursões e o número de jogadas é bem mais limitado do que no jogo tradicional, sempre com mais opções para os lançamentos.

Rumo ao draft

Para quem não conhece o esquema de contratações na NFL, uma das opções que as franquias por lá usam para garimpar atletas oriundos do High School ou da Faculdade é o Draft. Chegar à liga profissional é o sonho de muitos jovens americanos e, com um método justo e muito incentivo local, esse sonho é possível.

Para sentir um pouco do que é essa experiência, a EA fez algumas alterações no modo carreira e, a exemplo do que havia lançado no Madden anterior, com o modo Longshot, trouxe Face of the Franchise. Na pele de um jovem promissor, você entra em uma escola e precisa subir em sua carreira até chegar à NFL. Para quem está chegando agora na franquia, é uma boa chance de, além de se familiarizar com o jogo, aprender mais táticas e jogadas.

Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Sim, há um roteiro dessa vez, mas ele é tão chato e protocolar que nem vale a pena destacar. Você vai sentir é vontade de avançar em todas as cutscenes, de tão monótono que o “filminho” é. Além disso, os gráficos e movimentações dos personagens nessas cenas são bem precários, um pouco diferente do que acontecia em A Jornada, de FIFA.

Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Agora, se você optar por jogar uma carreira um pouco mais “Tradicional”, opte pelo modo Franquia, em que você joga como um dos times da NFL rumo ao Super Bowl.

Jogabilidade estagnada

Por mais que a EA diga que rolou um polimento na jogabilidade de Madden 21, com novas mecânicas e mais movimentos, não dá para dizer que mudou muito. O jogo parece ser exatamente o mesmo há alguns anos, com melhoras sutis em coisas como posicionamento e equilíbrio entre as...

equipes.

Prova disso é que a enorme quantidade de Fumbles (quando o jogador que está em posse da bola a deixa cair e perde) seguem ocorrendo. De acordo com a EA, isso deve ser corrigido em breve (veja abaixo um fumble), mas é algo que torna jogadas relativamente fáceis em verdadeiras vaciladas. Além disso, independentemente do nível da equipe, certos passes que parecem fáceis de executar seguem falhando, o que dificulta um jogo mais técnico e força, por vezes, que abramos o playmaker e optemos por uma formação que ofensiva mais física.

Mas, calma: apesar das falhas, ainda é muito divertido jogar Madden 21, sobretudo se você, assim como eu, gosta da complexidade do futebol americano. Os comandos estão os mesmos das outras edições e você pode executá-los com mais rapidez do que antes. O segredo, porém, permanece em prestar a atenção na jogada que você optou e decorar os movimentos que seus jogadores irão executar. Isso faz toda a diferença.

Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Outro ponto importante e que também pode determinar seu sucesso em um jogo de Madden 21 é escolher a jogada certa com base no perfil de sua equipe. Não é novidade que um time que possui um quarterback do nível de um Tom Brady ou Drew Brees terá seu jogo mais pautado em passes e jogadas mais bem elaboradas. Entretanto, caso você escolha uma franquia que não possua tamanho poder de fogo, opte por jogadas terrestres para poder “ganhar” jardas.

Ambientação espetacular

Se pelo lado da jogabilidade as coisas parecem estagnadas há algum tempo, o mesmo não se pode dizer quando o assunto é a ambientação de um jogo em Madden. Em Madden 21, aliás, “acompanhar” uma partida nunca foi tão realista e bonito. Seja qual for o momento, você, de fato, se sente em uma transmissão da NFL e, apesar de as animações mais focadas nos jogadores não serem das melhores, quando estamos in game tudo muda de figura e nos sentimos mesmo em um jogo de verdade.

Imagem: Felipe Ribeiro/ Canaltech

Os gráficos, por sua vez, também apresentam um esmero sensacional, principalmente quando as tomadas mais gerais do estádio são feitas. A movimentação dos jogadores é outro ponto alto do jogo e está bem próximo do que vimos nos games da franquia FIFA, com mudanças de direção, giros e lançamentos verossímeis.

Algo que também merece destaque são os efeitos sonoros. Por ser um jogo de muito contato, o futebol americano traz uma “sinfonia” das mais agressivas e a EA conseguiu transmitir isso para o game de maneira impecável.

Seria um jogo de transição?

Com a próxima geração de consoles à porta, fica a dúvida: seria Madden 21 um jogo apenas de transição para os novos videogames? Os jogos de esporte são, constantemente, “acusados” de serem mais do mesmo, com raras exceções, como F1 2020 e NBA 2K20. E, não tem como disfarçar: o novo jogo, apesar de divertido e com um bom conteúdo, não trouxe nenhuma evolução em sua jogabilidade.

É realmente difícil retratar um jogo tão complexo e cheio de nuances como o futebol americano, mas depois de mais de duas décadas com a franquia e já tendo mostrado ser capaz de reinventá-la, talvez tenha chegado a hora da EA repensar como quer fazer Madden 21. O fã de futebol americano não vai abrir mão do jogo e continuará a explorá-lo ano a ano, mas, se a ideia de todo e qualquer game é de atingir mais pessoas, penso que é hora da EA pensar em coisas diferentes para a franquia.

Madden NFL 21 está disponível para Xbox One, PlayStation 4 e PC. No Canaltech, o jogo foi analisado no Xbox One X com cópia gentilmente cedida pela EA Sports.

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